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Story Touch: o software para roteiristas, diretores e analistas de roteiro

Paulo Morelli lança em 14 de junho seu mais novo projeto. Não se trata, no entanto, de um longa metragem chegando nos cinemas (ele é realizador de Cidade dos Homens, Viva Voz e O Preço da Paz, além de sócio da O2 Filmes).

Depois de três anos de desenvolvimento, Morelli apresenta ao mercado o Story Touch. Trata-se de um software completo de desenvolvimento dramático em que é possível escrever e analisar o roteiro ao mesmo tempo. O programa não julga o “certo” e o “errado”, simplesmente porque não há essa categorização em dramaturgia. O que ele faz é, em linhas muito gerais, organizar a cabeça do roteirista, que geralmente trabalha de maneira caótica e desorganizada.

E esse auxílio é possível pelo fato de o Story Touch dar concretude às impressões e sensações do próprio autor. Através de uma imagem – um gráfico, por exemplo – ele traduz as impressões subjetivas e sensações do escritor. O que era uma impressão difusa ou mesmo uma intuição de quem escreve é mostrada de maneira clara. Ou seja, o software não faz análises pura e simplesmente; ele capta as apreciações do próprio autor e as apresenta através de imagens.

Morelli define o Story Touch como o “final cut” do roteiro:

É como se fosse mesmo uma partitura. Em primeiro lugar, é muito fácil ‘navegar’ pelo roteiro e perceber visualmente os tamanhos das cenas (e portanto o ritmo da história). Além disso, você tem diversas opções de recorte e análise da dramaturgia. Mas é importante deixar claro que o Story Touch não tem a pretensão de ensinar ninguém a escrever um bom roteiro. Como o próprio nome diz, ‘Ferramentas de Dramaturgia’, o Story Touch é apenas uma ferramenta para se analisar a dramaturgia de um roteiro.

Fernando Meirelles, sócio de Morelli na O2 Filmes, completa:

O Story Touch permite ao roteirista ter uma noção clara do nível de gordura, de açúcar, de sal ou de hormônios em sua história. Poder visualizar graficamente um roteiro completo em apenas uma página certamente revelará muitos aspectos escondidos ao autor.

FAZENDO USO DO SOFTWARE

Serão lançadas quatro versões; uma delas será totalmente gratuita.
O download poderá ser feito a partir de junho, através do site www.storytouch.com.
O que as diferencia é o nível de sofisticação de determinadas seções. Por exemplo, para quem tem o modelo mais completo, será possível criar ilimitados objetivos /obstáculos para seus personagens. Já para quem está trabalhando com a versão mais simples será possível fazer esse acompanhamento de um único objetivo / obstáculo. Além disso, os modelos mais avançados permitem escrever comentários (modelo Analista) ou ver tabelas com o resumo das cenas (modelo TOP).

Pelo site também era possível ter acesso a diversos vídeos tutoriais que auxiliavam o usuário a utilizar essa nova ferramenta, mas foram tirados do ar recentemente.

Há ainda dois exemplos que podem ser baixados: estão lá os roteiros de Cidade de Deus (Bráulio Mantovani) e Hamlet (William Shakespeare). É possível, através desses arquivos, entender melhor como o Story Touch trabalha.

O que esse novo software também promove é um dimensionamento real da história. Através dele, o autor pode perceber o quão dramática é determinada cena e o que ela representa dentro da história como um todo. O usuário elenca exatamente qual trecho quer ter analisado pelo sistema e, através dele, consegue visualizar curvas dramáticas e ver se há harmonia com o restante do texto, por meio de gráficos e tabelas.

SÃO ANALISADOS OS SEGUINTES TÓPICOS

  • Macro Estrutura: é possível lançar os principais eventos dramáticos de uma história, como pontos de virada, dilema, clímax.
  • Personagens: todos os personagens com fala são detectados automaticamente; os cinco com maior participação são categorizados como principais. Há ainda os secundários e extras. Há uma cor para cada um deles e eles podem ser classificados com valor de 1 a 10, de acordo com sua importância na cena.
  • Emoções: seguem-se as emoções dos personagens no decorrer de toda a trama, como tristeza, solidão e alegria. No caso de Hamlet, por exemplo, estão colocadas ali loucura, vingança, fingimento e sinceridade. Há uma cor para cada uma delas e diferentes graduações, de acordo com a intensidade da cena.
  • Valores: acompanha os valores apresentados na história e como eles são percebidos ao longo na narrativa, como traição / lealdade, fingimento / sinceridade.
  • Objetivo / Obstáculo: define-se quais são os objetivos do personagem e é possível acompanhar a trajetória dele em sua busca.
  • Plantar / Colher (Setup / Payoff): permite acompanhar a costura da história, deixando evidente como algumas cenas se relacionam.
  • Janela das Cenas: vê-se o roteiro todo numa única janela. É possível navegar por atos, sequências e cenas.
  • Tom e Ritmo: é possível acompanhar com precisão o tom do roteiro (como sombrio ou leve) e o ritmo (como lento ou rápido). No modelo que está disponível no Story Touch pontua-se uma cena de ritmo acelerado e outra mais lenta, em Cidade de Deus.
  • Página ou Tempo: aqui é dada a opção de se visualizar a história por páginas (em 1/8 de página) ou por tempo, através de uma estimativa. Essa ferramenta é muito útil durante a criação de uma nova história, momento no qual cada cena é ainda apenas um parágrafo, uma ideia. Nesse estágio, usa-se o tempo estimado da cena (um parágrafo pode se transformar numa cena de vários minutos), e com isso, o escritor pode ter uma noção mais clara da dimensão da sua história.

O lançamento ocorre nessa terça, 14 de junho, no anexo do Espaço Unibanco (Rua Augusta, 1470, SP), com exibição do curta “Conversas com Roteiristas” e logo após coquetel com presença dos criadores do software e dos roteiristas entrevistados (você pode assistir todos aqui – recomendo fortemente).

O site: http://www.storytouch.com/
O blog: http://www.storytouch.com/blog
Twitter: http://twitter.com/StoryTouch

Confesso estar ansioso para experimentar mais essa ferramenta na criação e construção de histórias. Se puder, compareça. Se baixar o software, comente aqui o que achou. Bye!

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“Blackout”, de Daniel Rezende

Um assessor parlamentar (Fabio, por Augusto Madeira) e um suplente (Marcelo, por Wagner Moura) se enfurnam em um cubículo escuro para fumar um baseado.
Entre falas irônicas e revelações sobre os políticos (fictícios) de Brasília, um imprevisto: repentinamente, ocorre um blackout, que deixa todos no escuro. E uma série de escorregões se sucede, deixando a dupla em apuros cômicos. Esse é o curta-metragem Blackout, da O2 Filmes.

Com um falso plano sequência e uma câmera que simplesmente não se move, o diretor estreante Daniel Rezende conduz o espectador até um desfecho aflitivo e angustiante, mas bem dosado na condução dos diálogos, escritos pela roteirista Simone Alexal, além da atuação inspirada de Moura (o idolatrado Capitão Nascimento) e Madeira (o Mauro, de Vendemos Cadeiras, série do estreante teen Matheus Souza).

Como montador de Cidade de Deus, Tropa de Elite 1 e 2, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, entre outros filmes, Daniel ganhou respeito na edição e foi chamado para trabalhar na nova película de Terence Malick, The Tree of Life (A Árvore da Vida). Rezende estreou como diretor neste curta, exibido numa noite de 2008 no Festival de Gramado. O filme foi rodado em apenas um dia, nos fundos de uma locação utilizada nas filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, e conta ainda com Carneiro (César Charlone, fotógrafo premiado da produtora) e Carlos Alberto (Deo Teixeira).

Assista e confira o alto nível desse divertido curta:

[você conhece? O2 Filmes: A O2 Filmes é uma produtora independente brasileira, responsável por filmes conhecidos internacionalmente, como Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, e Blindness, do mesmo diretor, adaptação cinematográfica do romance Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.]