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Homem-Aranha begins: uma origem contemporânea para o mais espetacular dos super-heróis

Ei, estou ressuscitando o blog só para essa singela opinião, hein?

Vamolá (sem spoilers):

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Um professor certa vez me disse que há apenas dez histórias no mundo. Mas para mim existe apenas uma única história: quem sou eu?

Essa é a última frase emblemática do filme, dita por uma professora de Peter Parker. A busca pela identidade, dada através das origens (entenda-se: pais) é o motor desse reboot, comandado agora por Marc Webb (500 Dias com Ela).

Sendo este um diretor que se mostrou hábil em lidar com relações humanas + a química de Andrew Garfield com Emma Stone — também fora das telas –, Peter Parker e Gwen Stacy tiveram uma colaboração apurada no tratamento de seus personagens nas telonas.

Emma é de longe a melhor atriz em tela. Não pela beleza e simpatia que exala 24h (e também), mas justamente por ter incorporado o 1º grande amor do teioso exatamente como Stan Lee e Steve Ditko conceberam. Dos pés a cabeça, no vestuário, do conceito ao olhar, até a linguagem corporal: ela mais do que tridimensionalizou a personagem, a tornou crível e apaixonante — assim como tinha de ser. Ainda mais considerando seu esperado e trágico destino no futuro.

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Webb extrai o melhor de seus atores e o roteiro pretensioso de Alvin Sargent, James Vanderbilt e Steve Kloves lhe deu liberdade o suficiente para explorar diversas relações, construindo com isso o que a Sony realmente queria: uma cinessérie (dias atrás oficializaram a trilogia). Peter e Gwen funcionam, naturalmente.

SAM RAIMI E A TRILOGIA ANTIGA

Olha, antes de tudo, sou um dos maiores fãs do Homem-Aranha que conheço. Já amava a Gwen antes de Peter, sempre considerei o Lagarto, o Duende VerdeShocker e o Escorpião os melhores vilões do herói, e ainda guardo na gaveta o roteiro duma trama de HQ fechada que pretendo um dia contar sobre o teioso — e ganhar a atenção da Marvel (ah, sonha…?).

Não renego o que Raimi fez há exatamente 10 anos (ok, pelos excessos de coincidências e personagens, HA3 foi um erro mesmo, vamos ignorá-lo aqui). Ele tinha uma visão romântica da obra, setentista até, com atuações cômicas, situações inverossímeis (dentro do que uma proposta dessa pode considerar como tal), e um direcionamento de plot muito mais calcado e fiel a origem do teioso nos quadrinhos. Sim, o filme 1 e 2 são ótimos, tenho toda trilogia completa num box aqui, revejo sempre, vou continuar adorando.

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Agora vamos confessar: Tobey Maguire sempre foi um Peter bundão, e no fim ainda se tornou um emo. Sempre pareceu velho demais para um colegial, não convencia como alguém que se tornaria o Aranha, nem mesmo tentando se inspirar em sua contraparte quadrinhística. Ele era engraçado e dramático numa medida que Garfield ainda está penando pra alcançar — só que sinceramente nunca foi o Peter Parker. Considerando que o Homem-Aranha de Raimi era em grande parte CG e sem o seu essencial (o super bom-humor, piadista, que usa da máscara para extravasar o que não consegue sem — como muitos perfis de redes sociais, digamos), então tínhamos pouco do personagem (sobre a comparação e análise de ambos os uniformes, leiam este meu post de 2011). O que salvavam ele e o filme eram o roteiro mesmo, primorosos, com vilões bem construídos e um melodrama mexicano que sempre fez parte da vida desgraçada da identidade secreta do teioso.

E o que dizer de Kirsten Dunst, desprovida de beleza e talento, como Mary Jane Watson? Sempre achei a atriz a maior falha de Raimi para sua cinessérie, mesmo com a cena antológica que ele conseguiu conceber — e que Webb ainda não chegou perto, e já deveria passar a se preocupar.

Não vou me aprofundar no sentido comercial da coisa. Está bem dividida a opinião de todos sobre o quão “cedo” foi rebootar o Aranha nas telonas. Depois do fiasco de HA3, Raimi até tentou — finalmente — trazer o Lagarto pra uma quarta continuação, mas as diferenças criativas e o desgaste pelo último filme de 2007 o fizeram debandar junto de todo o elenco. O que nem acho ruim. Se estava falhando, o personagem merecia um novo fôlego mesmo. Se isso deveria ser agora ou daqui ainda mais uns anos… Bem, não acho o fim do mundo.

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Este Homem-Aranha mantém todos os princípios e conceitos estabelecidos por Stan Lee e Steve Ditko, mas também carrega um bocado da versão Ultimate, modernizada, e que conversa melhor com o novo público, desta geração (nada mais justo, e a pretensão aqui é justificável). Peter usa lentes de contato em vez de óculos, recebe ligações de tio Ben em seu celular, anda de skate, e usa de tecnologia holográfica para rascunhar fórmulas científicas. Enquanto que o Aranha de 2002 parecia um tanto quanto retrô — inclusive no sentido de contexto e cenário –, este é crível quanto a nossa realidade atual, não só tecnologicamente, como também na linguagem e situações. O novo cabeça de teia é esguio, jovem e verossímil em todos esses sentidos, algo que o anterior não conseguiu atingir (as cenas antológicas da luta contra o Duende Verde e o parar do trem são impressionantes, mas não sustentam o personagem). O espectador nota esse lance crível, por exemplo, na cena que o bullie Flash Thompson fica condolente com a recente perda de seu principal desafeto no colégio. Não há caricaturas, os personagens são humanos, são possíveis, e isso ajuda muito neste reboot, acreditem.

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É nítido que os roteiristas e produtores planejaram e almejaram uma trilogia para contar o que querem (“a história não contada” continua não contada, isso será obviamente o motor de toda a série a partir daqui), por isso introduziram elementos da obra original de forma sutil neste enredo — que está mais para um prólogo, como foi Capitão América – O Primeiro Vingador — como um Clarim Diário aqui, fotos estratégicas de Peter ali, o rapaz gênio por herança genética, a relação de omissão com tia May etc. Elementos que serão introduzidos, assim espero, no momento certo nas continuações (a segunda prevista para 2014). O maior dos cliffhangers, porém, está em Norman Osborn (o maior vilão do Aranha, compare-o ao Coringa com Batman e Lex Luthor com Superman) — o futuro Duende Verde. Sua Oscorp é o principal cenário deste longa, com passagens importantes, mas também uma trama de pano de fundo (sobre o passado e que fim deu os pais de Peter) que vai alimentar os demais enredos, inclusive como provável justificativa de novos vilões.

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Li por aí alguns justificando seu ranço com o reboot principalmente porque existiam algumas situações espelhadas ao primeiro filme de 2002, de Sam Raimi (que aliás tinha ali pretensões distintas deste: ele queria fazer algo no mesmo nível do Superman de Richard Dooner/1978, e de certa forma conseguiu). Sim, estas “situações espelhadas” existem e até geram um pequeno incômodo, entre algumas: a morte principal que motiva o personagem, o funeral no desfecho (e não de quem vocês imaginam), a feitura do uniforme, a “voz na cabeça” do vilão verde, o patriotismo americano em ação (única cena realmente forçada do filme).

Considerando que poderia gerar ecos recontando a nova origem, Webb e os roteiristas se preocuparam e mostrar esse elementos de uma forma sutilmente diferenciada. Então, aquela ‘morte-motivadora’ também é iniciada por uma briga, mas muda-se o contexto de luta-livre por um mercadinho qualquer; a feitura do uniforme e o uso das novas habilidades se dá com takes rápidos, à lá ritmo MTV, sem muita poesia em cima; a descoberta dos poderes acontece dentro dum vagão de metrô, não mais em becos de Nova York — e diga-se de passagem, ficou tão bom quanto, e divertido, o que é sempre tudo a ver com o protagonista.

Mas há também os novos elementos, alguns destes que fizeram muita falta na trilogia da década passada, como os sensacionais lançadores de teia. Sério, quando vi as primeiras fotos, depois os teaser que os mostravam, vibrei legal. Parker é um jovem gênio, isso é um dos elementos principais do rapaz (assim como a zuação estão enraizadas ao Homem-Aranha, muito bem representadas nesta película). Temos Gwen Stacy como a primeira namorada dele — ufa, respeito a cronologia amorosa, pelo menos. E sim, eu torço ferrenhamente para que a cena dela, Duende Verde e Aranha, ocorra num dos filmes futuros, para transformar o herói pela 2ª vez, levá-lo a um novo patamar, e então apresentar MJ, como compensação, amadurecimento e uma forma de superação nisso tudo. Será que eles teriam coragem de fazê-lo em Hollywood? Eu gostaria que sim. Ah, eu preciso dizer: os movimentos do teioso estão espetaculares! Ele se move exatamente como nos quadrinhos, acredito até que seja a maior homenagem desse filme para a mídia de origem — e o melhor, menos CG e muito dublê. Deixou tudo mais orgânico, funcional e visceral, sem tirar o charme.

Para fechar essa parte, é bom ressaltar: Denis Leary, Martin Sheen e Sally Field estão ótimos e muito à vontade como Capitão Stacytio Ben e tia May, respectivamente. Os três são o coração do filme.

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Já Rhys Ifans, um ator competente, se mostra o elemento mais fraco do filme. Seu personagem não carrega profundidade e a motivação não convence (como nos quadrinhos, que ainda trazia sua família como carga pesada). Mesmo sem esposa e filho nas telonas, o Dr. Curt Connors poderia ter sido melhor trabalhado na relação com os pais de Peter e Norma Osborn, uma origem qualquer para perda de seu braço direito e uma drama mínimo para motivá-lo a realizar o plano megalomaníaco que tem com Nova York (que lá no clímax também soa forçado, assim como sua mudança repentina de personalidade, já que diferente das HQs, aqui ele mantém a sobriedade… Então, por que, meus deuses?).

O vilão não chega a estragar o filme e, numa base otimista, vocês conseguirão relevá-lo em prol de todo o restante, considerando-o um desafio físico e bruto ao qual o Aranha tem de passar nesse seu primeiro estágio como super-herói. Foi assim que o vi, e de fato, nesse sentido, o Lagarto funciona bem. Mas que merecia um tratamento melhor, não há dúvida.

Eu adoro o Lagarto, já disse isso, não? Enfim, ele colabora para as melhores cenas de ação do filme (e que considero muito superiores a qualquer uma contra vilões da trilogia antiga). Atentem-se a cena do esgoto, da ponte e da torre Oscorp — mas principalmente a do colégio, que também tira altos risos com a esperada participação especial de Stan Lee.

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O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

Este título pertence ao filme de 2006 de Cao Hamburger, numa visão interessante sobre a ditadura no Brasil. Nada a ver com os Parker, acalmem-se. Eu vejo esse reboot como um filme de duas frentes: fixação e deslumbre. O primeiro pertence a Peter. Sim, é a revolta e busca por vingança sobre o tio Ben que gera o símbolo do Homem-Aranha (mas não fez sentido algum o bandido da estrela desaparecer — ou ser esquecido — lá pelas tantas; teria ele também sido guardado para continuações? Afe), mas é a fixação do rapaz em saber mais sobre os pais — que fugiram às pressas quando ele era criança — que move toda a trama. Depois de encontrar uma pasta no porão, Peter decide que é o momento de descobrir o que aconteceu (a tal “história não contada”) e sai em uma jornada pessoal em busca de respostas — e acaba encontrando o antigo amigo de seu pai, Dr. Connors, criando de certa forma a fórmula que gera o Lagarto, sendo picado de forma esquisitona pela aranha (um emblema tratado de forma bizarro, que poderia ter ficado memorável) e então todo o resto, até chegar a se tornar o super-herói, mas ainda ficar sem resposta alguma. Aliás, outro que some é o Irrfan Khan, um auxiliar direto de Osborn (que “está morrendo”, uia), Rajit Ratha. Também para continuação? Enfim, essa pretensão acabou deixando o enredo muito solto, mas numa visão geral não atrapalha a obra, que entrega uma história de origem interessante — mas aquém a Batman Begins, de quem bebe um tiquinho de fonte. Bem, essa é a fixação. A do protagonista pelos pais.

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O deslumbre é ligado ao vilão. O Dr. Connors não é ambicioso, só quer curar o braço e talvez ajudar outros mutilados como ele. Mas disso para querer transformar toda uma população em répteis, do dia pra noite, com fumacinha em contagem regressiva, é demais, não? Ok, deixemos isso pra lá. O fato é que Connors fica deslumbrado com seu visual fodão, sua força sobre-humana e toda a gama de habilidades que ganha como essa espécie sempre no topo da evolução (como o próprio lembra em algum momento). É um vilão motivado pelo deslumbre, talvez por isso seja tão “fraco” como personagem. Seu desfecho também não é muito satisfatório, apesar de crível, e serve mais para alimentar a mitologia que os roteiristas criaram para essa cinessérie do que qualquer outra coisa. Então, no desfecho, o deslumbre dele passa e o doutor volta ao bom-senso? Não, não é a mesma coisa, nem funciona tão bem quanto ao sentimento de culpa do Dr. Octupus de HA2 do passado. Mas ok.

Aliás, duas coisas: este é o segundo filme (também de super-herói) no ano que vejo um clímax com bomba/ armamento tecnológico/ dimensional sobre o topo de um grande edifício. Há dezenas com tal clichê. Funciona, é um bom clímax, só estou ressaltando que não tem nada de original. E por fim, como todo bom filme da Marvel, tem cenas pós-créditos. Eu esperava mais e o desfecho dela mais confundiu do que instigou. Imaginação? Presença ameaçadora (espero que seja este)? Não ficou claro, não.

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Eu sei qual é o seu nome. A questão é: será que você sabe?

Diz Gwen Stacy para um titubeante Peter Parker nos corredores da Midtown High School, logo nos primeiros momentos de O Espetacular Homem-Aranha. Pouco tempo depois, uma recepcionista vai mais além:

Você está tendo dificuldade em se encontrar?

A mulher pergunta a um ainda mais confuso rapaz (a conversa é a respeito de um crachá, mas serve maravilhosamente aos propósitos da trama).

Este filme de origem apresentou bons elementos, e deixou muitas questões propositalmente sem solução, não ganhando o emblema e a força do respectivo Aranha de 2002, mas com uma visão geral muito mais interessante e completa, da qual farei questão de acompanhar bem de pertinho. Afinal, a obra de Webb tem foco na paternidade bem reforçada, tanto quanto foi a de Raimi, isso é importante observar.  Uma nota 8 é bem justa a essa película. A identidade ainda será uma jornada que roteiristas e diretor terão de encontrar para esse reboot escapar bem das comparações.

Um Homem-Aranha a mais, porém, é sempre bem-vindo. Ainda mais se produzido com boa vontade, como este. Confiram, que vale a pena. Só não se prendam muito a essas teias iniciais. Ainda há uma história aqui para ser contada.

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Os uniformes e a verossimilhança

Ontem a Marvel revelou numa tacada só os uniformes de Chris Evans como Capitão América e do novo Homem-Aranha.

Aproveitando o embalo, fiz uma análise sobre 4 uniformes de super-heróis que ganharão as telonas neste e no próximo ano. Vamos lá:

Capitão América: O Primeiro Vingador

Steve Rogers, o supersoldado da Segunda Guerra, tem o uniforme mais verossímil dessa leva. Apesar da roupa bandeirosa estadunidense, ela é bem prática e funcional com todas aquelas bolsas, tiras e capacete, além do material que visivelmente lhe dá grande mobilidade. Isso para quem busca um mínimo de realidade mesmo na ficção. Culpa de Christopher Nolan, que criou escola com Batman Begins e seus uniformes possíveis e críveis.

Mas o fã do personagem quer mesmo é a semelhança com os quadrinhos, ou como isso seria viável nos cinemas. Aí vai do mérito da produção e do figurinista tomar a melhor decisão. E quando o assunto é adaptação de HQ, nunca é fácil. Em Capitão América, porém, foram felizes. Nos comics, o herói usa um colante, que seria motivo de piada no corpo bombado do ator.

Para nossa sorte, desde o primeiro Homem de Ferro que a Marvel vem unindo seu universo tradicional (o 616) com o Ultimate, gerando assim um interessante híbrido nos cinemas. Enquanto em um temos a fidelidade ao plot, no outro temos a aproximação com a possibilidade da adaptação, em tramas de fato mais verossímeis. Não só Capitão América e Homem de Ferro, mas os novos Justiceiro, Hulk e agora Homem-Aranha e Thor (além dos futuros Vingadores) seguem ou seguirão essa linha.

De qualquer maneira, o Capitão Ultimate já dava indícios de como poderia ser seu uniforme nas telonas:

Observando o desenho da direita, nota-se que o filme segue fiel. Pelo menos na retratação ao passado do personagem. Sabemos que se não nesse filme, em The Avengers o Capitão vai atualizar seu uniforme para o desenho da esquerda, como a própria Marvel já revelou em um concept art durante a pré-produção e um fã emulou incrivelmente a ideia no físico do ator:

 

Thor

Esse mantém a mesma linha e ainda acho Chris Hemsworth o ator que melhor se adequou a um personagem de super-herói, físico e face. Sua aparente timidez só colaborou para a interpretação do Deus do Trovão. Sem contar que o visual do divino nórdico é idêntico ao dos quadrinhos.

Então, no quesito “super fiel”, Thor ganha de lavada. Até Mjölnir, o martelo, ficou simples e legal. Agora, se vai soar verossímil um praticamente de magia com uniforme sóbrio numa película crua, já é outra coisa. Pelas fotos e trailer, creio que sim. O problema será no futuro, quando juntar a magia de Thor com a tecnologia do Homem de Ferro em “Os Vingadores”.

Lanterna Verde

Diferente do seu concorrente acima, Lanterna Verde é o único entre os quatro que não convence de forma alguma. O filme pode até ser bom, mas uma película do tipo não demanda só roteiro, mas também visual. Muito visual. E a estética de Lanterna Verde não tem nada crível, por mais esforço e boa vontade que você perceba da produção. Nem é questão da escolha do figurinista para o design dos personagens, é porque esse super-herói simplesmente não funciona realisticamente.

Compare essa foto oficial do personagem no filme com uma ilustração de Ivan Reis para o Lanterna Verde. A foto se assemelha muito a um desenho, não consegue escapar desse problema nem mesmo no trailer. Ou seja, o filme pode ter um bom roteiro e ser belo visualmente, mas não vai convencer. Se você não ligar pra isso, tudo bem.

Homem-Aranha

Por fim, o mais esperado. A foto oficial de Andrew Garfield como Peter Parker causou frisson em fãs e não-fãs assim que divulgada. Teve os que amaram e os que odiaram, sem meio termos. Eu, particularmente, gostei. Mas compreendo os que não curtiram. O tecido sintético, que lembra a textura de uma bola de basquete, além do design mais descolado, lembrando um colante esporte, espantou os mais fiéis as HQs ou a primeira trilogia no cinema. Mas também foi o motivo dos apaixonados.

Compare este com o uniforme da primeira cinessérie com Tobey Maguire:

Nessa versão filmada por Sam Raimi, o figurinista optou por um tecido que encorpasse o baixo e minguado ator, com teias em alto-relevo, puxando por um tipo de degradê entre o preto, o prata e o branco, de acordo com a iluminação. As cores vermelha e azul, ótimas, foram mantidas no uniforme do reboot por Marc Webb, levemente escurecidas.

As teias do Aranha de Garfield estão ali, discretas como nos comics, mas não deixam de aparecer. Só não são o destaque principal. Não há alto-relevo nelas nem na aranha, que parece ser desenhada. Nos braços e luvas, o urban bike style fica mais visível, assim como as linhas de corte nas laterais do peito, coxa e virilha. E não se esqueça que os lançadores de teia estão presentes, sutilmente visíveis ali. Peter é gênio o suficiente para criar esse fluído disparador, assim como tecer um uniforme do tipo, aparentemente mais resistente a danos causados por seus inimigos bizarros.

Alguns fãs podem reclamar que não seria crível um Peter Parker de película criar um uniforme desses, muito menos um lançador de teias, que demandaria alta tecnologia e Q.I. nível Einstein. Mas é crível uma aranha radioativa, vilões fantasiados e um moleque pulando de prédio em prédio? Os mesmos que reclamam disso hoje, reclamaram da teia orgânica no passado.

O Homem-Aranha de Raimi (vou chamá-lo de Aranha 1) era totalmente baseado no super-herói do universo 616 da Marvel, visualmente bem estabelecido por John Romita Jr durante quase toda sua carreira desenhando o personagem. Por isso Peter Parker ainda tem aquelas expressões de geek fail, que Tobey Maguire tentou emular na antiga trilogia. E por isso o visual do Aranha 1 é mais encorpado, levemente musculoso. O pecado de Raimi foi não ter mantido o efeito cômico do herói nos filmes, transformando tudo num dramalhão (sim, eu gosto desses filmes; um dia disseco-os como se deve).

"Aranha 1": mais encorpado

No reboot do Homem-Aranha (que aliás será feito em 3D, com a mesma tranquilidade e tecnologia de Avatar), Webb optou por seguir o híbrido 616-Ultimate que citei acima, mantendo a essência do personagem, sua origem, elenco de apoio (Gwen como 1ª namorada: WIN), seus vilões e sua linha inicial de trama do universo tradicional, com o visual descolado, jovial e esguio do Ultimate (chamarei de Aranha 2) estabelecido por Mark Bagley, que muda um cadinho aqui e acolá, com chances não só de atingir um novo público, como também de reconquistar o antigo, que em grande parte se desapontou como 3º de Raimi.

"Aranha 2": esguio e jovial

Adotando esse visual, outro ponto positivo é o de renovar o personagem, não reciclar o que tinha sido feito. Alguns argumentaram que justamente por isso “radicalizaram” nesse novo aspecto, o que eu não concordo. Ele apenas segue a linha Ultimate de uniforme. Já que a franquia reiniciou e vai tentar seguir a risca as origens do cabeça de teia, nada mais honesto do que aproximar o herói das telonas do original. Agora é aguardar os ‘olhos’ e ver se eles não saem com reflexos de lentes, como as do Aranha 1. A revelação da máscara será o próximo boom sobre o reinício da franquia. Aposto em ‘olhos’ maiores, como os exemplos acima.

Quanto ao Peter Parker antigo, Tobey Maguire apesar de bom ator, sempre teve péssimas expressões e muito pouco humor para o personagem. Mas era fiel ao estabelecido no universo 616, nerd fracassado:

Enquanto que Andrew Garfield, nesse aspecto de mancebo mais desleixado, parece seguir uma perigosa linha crespucular, mas pode surpreender, afinal o filme só estreia em 2012 e precisamos dar uma chance.

Lembrando que a excelente animação The Spectacular Spider-Man já apresentava um Aranha/Peter teenager bem legal. Era natural que o reboot seguisse esse caminho.

The Spectacular Spider-Man (TV series)

Da minha parte não peso nem para o Aranha 1 nem para o Aranha 2, cada um se guia por um universo Marvel e apresenta uma trama bem diferente do outro, mas com o mesmo personagem. Gosto de ambos, porque o Homem-Aranha é meu herói predileto. E sinto informar aos outros supers, que seu uniforme é o mais criativo e genial dos quadrinhos. Valeu, tio Stan!

Ou você prefere isso?

Um dia desses volto para dissecar os trailers citados nesse post e falar sobre o elenco do novo Homem-Aranha. E só volto a analisar figurino do gênero quando lançarem o filme da MulherMaravilha, fechou?

[você conhece? As datas de lançamentos desses filmes no Brasil: “Thor”, em 29 de abril/2011; “Lanterna Verde”, em 17 de junho/2011; “Capitão América: O Primeiro Vingador”, em 29 de julho/2011; “Homem-Aranha 3D”, em 3 de julho/2012.]