Shonen Jump à brasileira

Dia 15 de fevereiro, o jornalista Alexandre Soares (também conhecido como Lancaster, que mantém o blog Maximum Cosmo), colocou no ar o almanaque Ação Magazine, com uma proposta inovadora e empolgante para o mercado nacional: seguir os moldes de uma Shonen Jump e derivados orientais, formato que gera bons resultados tanto no Japão quanto em vários países ao redor do mundo.

A AM irá se propor a ser uma revista de entretenimento de massa, seguindo os padrões que fizeram dos quadrinhos japoneses os mais bem-sucedidos do mundo. Inclusive um sistema de rotatividade de histórias baseado na popularidade será implantado para medir o interesse do leitor por determinadas obras, assim como ocorre com suas “irmãs” do oriente. Resumindo: agradou fica, caso contrário será substituído por outro título.

Como você poderá conferir em sua versão online, a edição e toda diagramação segue esse molde também – da capa ao expediente –, o que acho uma excelente proposta. O público que consome mangá, em geral, está habituado com esse tipo de estética, então nada mais natural que apelar para esses meios, muito bem executados, por sinal.

Pedi ao próprio editor que esclarecesse melhor sobre o título:

Olá para todos os leitores do Caixa Misteriosa. Meu nome é Alexandre Soares e estou aqui para falar com vocês da Ação Magazine. A proposta é a de lançar um almanaque nos moldes japoneses, com séries cuja rotatividade é definida pela popularidade – e temos seis séries novas para nossos leitores. Queremos contar novas histórias. Criar novos personagens. Deixar nossa marca. E queremos que vocês façam parte dela. O preview da revista pode ser visto aqui – issuu.com/acaomagazine/docs/amagpreview – e vocês podem ter uma rápida ideia do que esperar. Juntem-se ao novo, sejam o novo – sejam pessoas de ação!

A revista também conta com uma comunidade no Orkut, uma página no Facebook, um perfil no Twitter – ambos atualizados simultaneamente – e um site em construção.
Segundo  o editor Lancaster, a AM será impressa (editora e lançamento ainda não divulgados), mas terá sempre suporte online, com “muitas possibilidades”.

Confira a edição número zero clicando aqui.

Abaixo, a sinopse dos mangás publicados nessa edição e uma análise rasa que faço de cada, considerando que são histórias incompletas e curtas, apenas para degustação:

Rapsódia

Criado por Fábio Satoshi Sakuda e Carlos Sneak, Rapsódia narra a aventura de um bardo e um povo pequenino em uma terra mágica que estão à caça de gigantes que atormentam seu mundo.

O que achei: Rapsódia tem um título coerente com a premissa, que apesar de simples, é bem executada. O traço de Sneak é acima da média e ele demonstra um bom domínio de narrativa de mangá, principalmente nas cenas de ação. Os diálogos de Sakuda são ágeis e se encaixam nas situações, apesar da insistência no uso kick-ass por duas vezes seguidas. Basicamente, o personagem (de uma raça que nunca ouvi falar) chega ao lugarejo e cumpre sua missão (numa bem bolada armadilha envolvendo magia), deixando um gancho light para o próximo volume.

Expresso

Expresso, escrito e desenhado por Alexandre Lancaster, é uma série que se passa em um Brasil na época das máquinas a vapor, em que um jovem inventor enfrenta várias ameaças do começo do século XX.

O que achei: Talvez o mangá mais conhecido da edição, que já vem sendo divulgado há alguns anos, em entrevista e num blog próprio, que inclusive contém dados da criação, origem e ficha dos principais personagens. Começa e termina instigante, com ação moderada e a melhor escolha de fontes entre os títulos da revista. No traço, Lancaster segue uma escola mais clássica do mangá (nem por isso inferior), que casa muito bem com a proposta da trama, um cenário steampunk bem fiel às raízes da época, retratando uma história alternativa, que teve um spinoff elogiado na antologia Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário, da Tarja Editorial, lançado em 2009, de boa aceitação dos leitores, até mesmo na crítica internacional. Lancaster domina como poucos a linguagem narrativa, tem um texto muito bom e, na minha opinião (que não é de hoje), é um dos maiores entendedores sobre os princípios do mangá no país – e aqui ele os executa de forma bem dosada. Esse título promete, mais pela história do que pela arte.

Madenka!

De Will Walber, Madenka!, como uma boa série japonesa que mistura suas lendas, vai contar uma aventura de luta em um mundo repleto de criaturas do folclore brasileiro, mas bem diferente do que conhecemos.

O que achei: Há pouco a dizer sobre este título, que possui apenas três páginas na revista, explicando as funcionalidades desse universo fantástico, mas não o restante. E apesar da apresentação colocar Naruto e Os Cavaleiros do Zodíaco como referência, a primeira coisa que se remete ao olhar pelo bom traço de Walber é One Piece, solto e cômico, inclusive na ideia inusitada, mas criativa: onde um tipo de herói enfrenta criaturas do nosso folclore, mesmo tendo um nome oriental.

Jairo

Escrito por Michele Lys e Renato Csar, com desenhos de Altair Messias, Jairo é o que não poderia faltar em uma revista como a Jump: mangá esportivo. Jairo é um jovem que treina para alcançar a medalha de ouro no Boxe Olímpico em 2016. No maior estilo Hajime no Ippo.

O que achei: Também com três páginas e muito pouco para avaliar, tem um logotipo quase ilegível e que não remete a nada (mas isso não é relevante para o todo). Lys e Csar utilizam o lugar-comum com palavras de força e incentivo nos recordatórios, sem conseguir fazer com que a trama chegue a um gancho favorável, como os demais títulos da edição. O traço de Altair é instável, que lembra um rascunho tentando se finalizar, talvez buscando remeter a referência citada na sinopse acima; mas num estilo pouco atraente. E em um gosto muito pessoal, acho a obra com muito pouco apelo, por se focar em esporte – no caso, boxe – e trama de superação através de danos pessoais e físicos. Mas, se O Lutador teve um relativo sucesso no Brasil (e O Vencedor vem aí), Jairo pode também.

Arcabuz

Arcabuz, de Márcio Gonçalves e Roberta Pares Massensini. Uma aventura capa-e-espada durante a era da União Ibérica. Romance, tesouros, piratas e duelos.

O que achei: Como Expresso, Arcabuz segue a linha história alternativa com aventura, que eles rotulam de “mangá de bandeirantes”. Depois do início didático, começa a trama em si. Personagens carismáticos, creio terão um apelo forte no público por serem corsários. Apesar de pecar em uma ou outra cena de ação, Massensini tem um traço na medida do que a história parece pedir, e Gonçalves arrisca na linguagem de época para situar melhor o contexto, mas nada que atrapalhe a leitura. O título, Arcabuz, tem força. Vamos torcer para que este mangá também.

Tunado

Produzido pela dupla Maurílio DNA e Victor Strang, Tunado, como o nome sugere, será repleto de monumentos automobilísticos, além de gandes rachas e muita adrenalina.

O que achei: Apesar do pôster simpático fechando a edição, Tunado é de longe o título mais fraco da revista. Um Velozes e Furiosos com drama, a apresentação defende que o tuning tem um número gigante de fãs no país (não há dúvidas) e que consomem todo o tipo de material a respeito. Inclusive mangás? Não sei. Mas sabemos que a grande maioria dos otakus, o público-leitor desse tipo de produto, não se interessa tanto por esporte, tão menos por carros tunados. É um risco e é sempre aconselhável ousar; mas o traço é fraco e amador e os diálogos pobres. Torço para uma evolução em ambos os quesitos nas futuras edições.

Como é esclarecido no fim da revista, a grade de títulos do almanaque Ação Magazine será movimentada por um ranking dos próprios leitores, definindo os títulos de sucesso e os que devem sair. Com isso, os mais populares no ranking são aqueles que passaram pelo teste de público – e uma nova série ocupará seu lugar. Quanto mais o leitor participar, mais a revista terá sua cara. Esse é o sistema implementado nos quadrinhos japoneses – e o motivo pelo qual os mangás passaram a dominar o mundo, espalhando seus sucessos pelo planeta.E agora, uma nova geração de sucessos está prestes a nascer no Brasil!

Essa edição prévia, em grande parte, apresentou qualidade e muito amor na feitura, de todas as partes, da diagramação, ao roteiro e artes, até o sistema que a AM pretende implantar em distribuição, publicação e funcionamento midiático. Na minha opinião, uma das melhores e maiores iniciativas para o mercado nacional de quadrinhos desse gênero, que tem um público poderoso e fiel – como as estatísticas de meios virtuais da revista já vem apresentando. Torço pelo sucesso, continuidade e sobrevivência dessa, que pode ser a primeira de muitas revistas no formato, que há muito os brasileiros desejam.

Em vez de falar, faça. E foi o que Lancaster e sua equipe fizeram. Boa sorte na empreitada, pessoal.
No aguardo do número 1 e mais novidades.

Obs: nem todas as imagens correspondem exatamente ao mangá desta edição; são meramente para efeito de divulgação.
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Comentários

  • Haru  On 23/02/2011 at 18:43

    mas é uma excelente notícia! Adorei a novidade e torço muito pelo sucesso
    GoGO!

  • leandro  On 29/09/2011 at 20:59

    oiiiiiiiiiii tur,a da shonejump meu nome é leandro tenho 17 anos eu desenho manga e gostaria de saber como posso divulga meu trabalha na sua revista eu vó deixar o email do meu orkut pra vc estarei ansioso para saber.

    email: leosantos13_@hotmail.com

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